Joaquim Oliveira, advogado de um dos arguidos do caso Urban Beach, afirma que o seu cliente está arrependido mas que as suspeitas têm de ser contextualizadas. O jurista afirma que os arguidos foram chamados aos exterior da discoteca para parar desacatos que tinham começado em frente ao estabelecimento.

As declarações foram prestadas aos jornalistas junto ao Tribunal de Instrução Criminal, onde já estão a ser ouvidos os três seguranças da discoteca Urban Beach que foram detidos pela Polícia de Segurança Pública por estarem alegadamente envolvidos nas agressões a Magnusson Brandão Gomes.

Urban Beach. Jovem agredido diz ter sido esfaqueado por segurança

O advogado afirmou ainda que “quem devia estar ali era a polícia”. O jurista questiona:”Onde é que eles estavam?A PSP foi chamada e demorou mais de 40 minutos [a chegar ao local]”. Oliveira diz ainda que, “se efetivamente os eventos que estão descritos nas imagens correspondessem aos factos, as vítimas não estariam do jeito que estão”. O advogado refere-se às entrevistas em que as vítimas das agressões parecem estar recuperadas do incidente.

José Carlos Cardoso, outro dos advogados dos arguidos, em declarações aos jornalistas no Campus de Justiça, em Lisboa, afirma que é preciso “olhar para o outro ângulo da história”. O jurisconsulto diz que a situação em causa é a do vídeo, não outras queixas que a polícia já registou este ano. O advogado terminou a dizer: “O meu cliente não quer ser Jesus Cristo, não quer expiar todos os pecados do mundo”.

Interrogatório começou às 13h30

A audição prevista para as 09h00 dos três seguranças suspeitos das agressões na discoteca Urban Beach divulgadas em vídeo na passada quinta-feira foi adiada, tendo os interrogatórios começado às 13h30. Os três seguranças detidos vão ser interrogados por um juiz de instrução criminal que determinará as medidas de coação que serão aplicadas. A medida de coação máxima é a prisão preventiva. Resta saber se o Ministério Público promoverá a aplicação de tal medida coação junto do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

A Polícia de Segurança Pública deteve na passada sexta-feira três seguranças do espaço de diversão noturna, que foi encerrado pelo Ministério da Administração Interna. Os suspeitos estão detidos por fortes indícios de crimes de ofensas à integridade física graves.

Segurança do Urban Beach teve oito queixas em 2017

Só em 2017, Pedro Inverno, um dos alegados autores das agressões à porta da discoteca Urban Beach na madrugada da passada quarta-feira, teve 8 queixas na polícia, noticia o Correio da Manhã. O Expresso refere a mesma informação, citando o despacho de Eduardo Cabrita, mas não identifica o nome do segurança.

O Correio da Manhã adianta ainda que além de murros, Inverno terá ainda esfaqueado Magnunsson Brandão Gomes, o jovem de 26 anos que foi um dos alvos das agressões que levaram ao fecho urgente do estabelecimento de divertimento noturno pelo Ministério da Administração Interna.

Os oito seguranças do Urban Beach suspeitos de violência gratuita já tiveram 38 queixas de agressões só este ano. Esta informação consta do despacho de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, que ordenou o encerramento da discoteca lisboeta. O despacho é conhecido desde esta sexta-feira, tendo sido noticiado novamente pelo Expresso na edição deste sábado.

No despacho de Cabrita lê-se que as 38 queixas-crime demonstram “o grau de conflitualidade resultante da atividade do Urban Beach” e que está em causa “a perturbação da ordem e tranquilidade pública decorrente da atividade” do espaço de diversão noturna. Estes são os principais fundamentos da decisão que levou ao encerramento provisório do Urban Beach.

Os seguranças da discoteca do grupo K acusados são ouvidos às 13h30 deste sábado por um juiz de instrução criminal para decisão de aplicação de medida cautelar preventiva durante a fase de inquérito.

Urban Beach. O ‘modus operandi’ dos seguranças agressores

Artigo retificado às 11h58