Na noite de quarta-feira e já esta manhã, começou a circular uma frase pelos telemóveis dos elementos mais próximos de Donald Trump, dentro e fora da Casa Branca: “As células adormecidas acordaram.” A frase ten origem num problema que agora se coloca ao Presidente dos EUA: quem escreveu o artigo de opinião para o The New York Times a descrever uma rede “silenciosa” de altos funcionários que, deliberadamente, sabotam a ação governativa do chefe de Estado? Há outro problema: quantos “altos funcionários” da Administração estão nessa rede? E também um outro: em quem se pode confiar? Trump, descreve o The Washington Post, ficou num estado “vulcânico” depois de o artigo ser publicado — e quer um nome.

As últimas horas dos aliados de Trump foram dedicadas a uma única missão: descobrir quem escreveu o artigo polémico. “O problema”, diz um funcionário da Administração ao diário norte-americano, “é que pode ser muita gente” na Casa Branca ou em qualquer outro ramo do Governo dos EUA. “Não podemos reduzir a lista a uma única pessoa” diz o mesmo funcionário. “Está toda a gente a tentar, mas é impossível”.

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Foram canceladas reuniões, agendaram-se encontros de emergência e delinearam-se planos para chegar ao autor. Cada linha do artigo foi passada a pente fino, estudaram-se padrões de linguagem que apontassem uma pista direta ao funcionário ou, pelo menos, ao ramo da Administração de onde partiu o testemunho.

A lista de possibilidades é imensa mas, de acordo com o The Washington Post, Donald Trump acredita que o autor do artigo só pode vir de uma de duas áreas: do Departamento de Justiça ou de instituições ligadas à segurança nacional.

Num primeiro momento, o Presidente recorreu ao Twitter para pôr em causa a mera existência um tal “alto funcionário” na sua Administração que pudesse ter produzido aquele documento. Agora, diz o diário, considera que o artigo revela deslealdade e é uma traição.

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“É como os filmes de terror, quando toda a gente percebe que a chamada vem de dentro da própria casa”, diz um ex-elemento da Casa Branca. “Ter alguém, no interior da Casa Branca, a dizer que há um grupo entre nós com uma resistência organizada que garante que o Presidente dos Estados Unidos não faz nada de irracional ou de perigoso é algo aterrador”, diz o historiador Douglas Brinkley.

Sem pistas claras a que apontar, um dos assistentes de Trump propôs uma tese: o autor é alguém com sede de protagonismo que escreveu o texto com esperança de ser detetado para ter espaço de antena. Outros assistentes ainda tentam perceber o que é um “alto funcionário” da Casa Branca.