A prestação de Cristiano Ronaldo durante o jogo entre Portugal e Uruguai, de onde os portugueses saíram derrotados por dois golos de Cavani contra apenas um de Pepe, mereceu atenção redobrada da imprensa espanhola. A partida decorreu numa altura em que se especula sobre a saída do capitão português do Real Madrid para o Paris Saint-Germain. O El País diz que Ronaldo lutou “contra um país, contra o peso de uma camisola que é uma elegia ao impossível desde o sentimento ao esforço”. O El Mundo realça o esforço do português em ultrapassar “até três oponentes ao mesmo tempo”. E a Marca resume a prestação de Ronaldo no Mundial como tendo “muitos quilómetros, mas sem golos”.
Apesar de recordar que o capitão português começou o Campeonato do Mundo “de uma forma esmagadora” ao marcar três golos contra Espanha e o único golo da seleção nacional frente a Marrocos, a Marca diz que “o atacante não marcou um único golo nos momentos decisivos”: “Contra o Irão falhou uma penalidade que teria dado o primeiro lugar à equipa e talvez o destino fosse diferente. No confronto decisivo nos oitavos contra o Uruguai não conseguiu concretizar e a equipa acabou a pagar isso com a eliminação. Neste jogo, fez seis remates, mas apenas um foi dirigido às redes”, escreve o jornal espanhol.
No entanto, a Marca diz que este pode ter sido o melhor Campeonato do Mundo para Cristiano Ronaldo: “Marcou mais golos do que os que havia somado nas participações anteriores. Nesta edição, era o jogador com mais remates feitos. Juntava 21, dos quais oito foram à baliza. O seu melhor desempenho foi contra a Espanha. Marcou três golos e assinou um jogo quase perfeito, com 94% de aproveitamento nos passes. Também neste confronto estabeleceu a velocidade recorde neste Mundial, atingindo uma velocidade máxima de 33,98 km/h”. A Marca sublinha ainda outras estatísticas de Ronaldo neste Mundial: “Contra Marrocos, alcançou 100% de sucesso. Um remate à baliza, um golo e três pontos para Portugal”.
Mas logo a seguir, o desportivo espanhol sublinha a falta de eficácia de Ronaldo a partir do jogo contra Marrocos: “Quanto aos quilómetros percorridos, completou mais de 34 nos quatro jogos que disputou. Só caiu abaixo dos 8.000 metros numa partida, a do Irão. Contra o Uruguai, superou a barreira de nove quilómetros, a partida em que completou a maior distância”. É por isso que a Marca falta de um Ronaldo com “muitos quilómetros” que peca pela falta de mais golos.
O As também falou sobre o comportamento de Cristiano Ronaldo no jogo que Portugal terminou derrotado pelo Uruguai: o jornal desportivo fez um vídeo onde mostra a cara “de desolação” do capitão português quando o árbitro mexicano pôs fim à partida deste sábado colocando a seleção nacional fora do Campeonato do Mundo: “Nunca um rosto disse tanto”, escreveu o desportivo As. E completou: ” A estrela portuguesa não teve o seu melhor dia contra o Uruguai. Quando o árbitro deu o apito final, o rosto foi o verdadeiro reflexo da desolação”. O vídeo não está disponível para visualização em Portugal, mas as fotografias do adeus de Portugal ao Mundial também refletem a tristeza da equipa portuguesa.
De cabeça baixa: foi assim que Portugal se despediu do Mundial
Além da desolação de Ronaldo, o jornal As também sublinhou as palavras de Cristiano Ronaldo nas entrevistas rápidas, feitas a seguir à partida. Apesar das respostas evasivas do atacante português, que foi interrompido quando questionado sobre o futuro na seleção nacional, Ronaldo disse que “não é o momento” para falar sobre o assunto: “Não é hora de falar sobre o futuro do técnico, dos jogadores, da equipa. Mas pode ter a certeza absoluta de que esta equipa continuará a ser uma das melhores do mundo. Há um grupo fantástico, com uma enorme ambição de querer ter sucesso e estou confiante e feliz porque a seleção nacional estará sempre no topo”, garantiu Cristiano Ronaldo.
Os jornais espanhóis generalistas também não se escusaram a falar do atacante do Real Madrid. O El Mundo começa a crónica sobre o Uruguai-Portugal a falar sobre a saída de Cristiano Ronaldo e de Lionel Messi no mesmo dia: “Nem Messi nem Cristiano. O Campeonato do Mundo ficou sem as duas figuras dominantes do futebol nos últimos anos. Talvez seja um aviso de um novo tempo. Os dois despedem-se dos quartos, frustrados com as limitações das suas equipes. O título no Euro 2016 parece um feito irrepetível para um Portugal com bom trabalho mas pouca verticalidade. Com Cristiano bloqueado pelo sistema defensivo do Uruguai, a equipa ficou seca”.
O problema de Ronaldo, considera o El Mundo, é não ter tido quem o acompanhasse: “As melhores ideias foram as de Adrien Silva, elegante na condução, mas não havia espaço para dar o passe para o buraco com qual Cristiano Ronaldo sonhou. Ele também deixou a área em busca de jogo e às vezes pressionou até três oponentes ao mesmo tempo. Mas Tabárez havia habilmente preparado a sua gaiola”.
O El País concorda: “Cristiano contra toda a estrutura defensiva do Uruguai. Cristiano contra um país, contra o peso de uma camisola que é uma elegia ao impossível desde o sentimento ao esforço. Ele não teve um jogador de futebol para acompanhá-lo no ataque durante todo o campeonato. Nem Bernardo Silva nem Guedes corresponderam às expetativas”, considera o jornal desportivo. E concretiza: “Ontem à noite, mais uma vez eles transformaram a sua referência num lobo solitário. À direita, à esquerda, no centro, ele foi sufocado e parou”.