A imagem começou a circular com mais força perto do início da campanha para as eleições presidenciais de 24 de janeiro. Três fotografias de meio corpo, alinhadas lado a lado. À esquerda, Marisa Matias numa fotografia captada para uma reportagem da revista Sábado. À direita, Marisa Matias ocupando o seu lugar no plenário do Parlamento Europeu. Ao centro, a imagem de uma jovem de cigarro na mão direita e com a blusa levantada acima do peito, sem outra roupa por baixo. O objetivo é simples: tentar passar a mensagem de que a imagem ao centro retrata a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda. Nada mais falso. A jovem não tem qualquer relação com Marisa.
A montagem tem sido difundida através de contas de grande alcance no WhatsApp e, com formulações ligeiramente diferentes — mas com o mesmo propósito —, em várias contas do Twitter e do Facebook. Num desses exemplos a circular nesta rede social, a imagem ao centro da montagem anterior é isolada e publicada ao lado de uma fotografia de André Ventura, que surge com uma cigarrilha numa mão e um copo com uma bebida na outra. Por baixo, a vermelho, a legenda: “Ainda tens dúvidas em quem votar???” Ainda outro exemplo, desta vez no Twitter. A mesma imagem da mulher com o peito descoberto, acompanhada da pergunta: “Conhecem quem está nesta foto, tirada em Coimbra, em Fev de 1976?” Se a ideia desta referência era sugerir que se tratava de Marisa Matias, nem o calendário joga a favor: a bloquista nasceu em fevereiro desse ano. Apenas mais um exemplo: a mesma imagem da mulher num bar surge colada ao perfil de Marisa Matias na página da Wikipédia, sem mais referências.

Exemplo de uma publicação partilhada no Facebook
Esta campanha contra a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda às eleições presidenciais surge depois de, na sua última edição, a revista Sábado ter publicado um perfil da eurodeputada. Um artigo onde se conta como Marisa, quando era uma adolescente a viver em Coimbra, chegou a limpar casas de banho de bares como forma de apoiar financeiramente a sua família, antes de começar a trabalhar ao balcão, ao mesmo tempo que completava o ensino secundário.

Conteúdo partilhado em vários grupos don WhatsApp
O Observador foi alertado para estes conteúdos e procurou verificar a veracidade dos mesmos. Com recurso à tecnologia de mapeamento do histórico de uma imagem TinEye, é possível verificar que a fotografia que se procura colar à eurodeputada circula há vários anos por diferentes sites de conteúdos para adultos, com réplicas que remontam, pelo menos, a 29 de março de 2014 e que estão espalhadas por múltiplos domínios na internet. A pesquisa devolve 30 resultados da mesma foto alojados em diferentes páginas, com diferentes recortes e níveis de qualidade.
O Observador tentou uma reação da candidatura de Marisa Matias, que não quis comentar o conteúdo dos posts que estão a circular nas redes sociais. E se a vítima, desta vez, é Marisa Matias, noutro caso o alvo foi Catarina Martins. O Observador já verificou conteúdos a circular no Facebook que pretendiam passar a ideia de que a coordenadora do Bloco de Esquerda tinha reunido com o primeiro-ministro em São Bento e que se tinha apresentado nesse encontro com um vestido curto. Nesse caso, a imagem original tinha sido adulterada. Foram apagadas as calças escuras que Catarina Martins de facto usava nessa reunião e, no seu lugar, surgia a parte de baixo do vestido.
Fact Check. Imagem de encontro entre António Costa e Catarina Martins é verdadeira?
No caso de Marisa Matias, a imagem original não terá sido editada. O que se fez foi juntar duas fotos autênticas da candidata presidencial a uma fotografia de outra mulher. A única semelhança entre estes conteúdos é a cor da blusa que Marisa usava no momento em que a fotografia da revista Sábado foi captada, ligeiramente parecida com a blusa da mulher fotografada no bar. Nada mais.
Conclusão
Marisa Matias não surge na foto que mostra uma jovem sentada à mesa de um bar com o peito descoberto. Trata-se de uma ação de desinformação promovida contra a candidata do Bloco de Esquerda, depois de Marisa ter lembrado que trabalha desde os 16 anos.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.