O impeachment persegue Dilma Roussef desde que foi reeleita para a Presidência do Brasil, em outubro de 2014. Logo após o anúncio do resultado, eleitores de Aécio Neves, derrotado na segunda volta por menos de quatro pontos percentuais, gritavam “impeachment” na Avenida Paulista, em São Paulo. Quase dois anos depois, muitos destes manifestantes não poderiam imaginar que um grito de revolta, no calor do momento, poderia ter-se transformado em realidade com a aprovação da saída definitiva de Dilma Rousseff no Senado, esta quarta-feira.
O impeachment não é novidade para os brasileiros. Em 1992, Fernando Collor de Mello renunciou à Presidência do Brasil para evitar – sem sucesso – o seu afastamento definitivo, que estava a ponto de ser votado no Senado. Em causa, estava uma investigação por lavagem de dinheiro público e corrupção. Collor, que havia assumido o governo em 1991, passou oito anos inelegível e voltou ao cenário político apenas em 2006, como senador do estado de Alagoas.
Desde então, os partidos da oposição utilizam os pedidos de impeachment como forma de colocar pressão sobre um governo, mesmo sabendo que se trata de um longo, difícil e complexo processo, que passa por diversas votações na Câmara dos Deputados e no Senado.
De acordo com uma investigação da Folha de S. Paulo, todos os Presidentes do Brasil foram alvo de pedidos de impugnação na Câmara dos Deputados, o órgão responsável pela abertura do processo. Fernando Collor, por exemplo, recebeu 29 pedidos de impugnação durante o seu mandato; Itamar Franco (1992-1994), quatro; Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), 18; e Lula da Silva (2003-2010), 34. No caso de Dilma Rousseff, até o mês de julho deste ano havia 68 pedidos de impeachment ao seu mandato.
Em todos estes casos, o processo nunca foi adiante, pois necessitava que o pedido fosse aceite pelo presidente da Câmara dos Deputados para ir a votos. Em termos práticos, o pedido só ia para a frente se somasse um governo minoritário e impopular de um lado e, do outro, uma grande articulação dos partidos de oposição ao governo na Câmara alta e na Câmara baixa do Congresso brasileiro. É assim que nasceu o impeachment de Dilma Rousseff.
O processo cresceu a partir da crise económica, da fragmentação e baixa fidelidade dos partidos que apoiavam o seu governo e das manifestações públicas, apropriadas pelos partidos contrários à petista. Os sinais de um possível impeachment estavam presentes desde o início do seu segundo mandato, mas só não parecia inevitável porque a sua aprovação era longa, difícil e complexa. Mas aconteceu.
O Observador destaca nestas duas linhas de tempo interativas todos os passos que levaram à saída de Dilma Rousseff da Presidência do Brasil. Ao passar o cursor sobre as setas laterais, é possível avançar ou recuar no tempo. Também é possível clicar diretamente nos eventos destacados, localizados na parte superior das infografias para saltar diretamente para um acontecimento.