Histórico de atualizações
  • Até amanhã!

    E assim chegamos ao fim deste dia histórico — mesmo histórico, e apesar de ainda não ter sido o dia em que EUA e Cuba se reconciliam totalmente.

    Neste momento, Barack Obama está reunido com um grupo de empreendedores cubanos. Às 00h25 de Lisboa, terá um jantar oficial no Palácio da Revolução. Amanhã há mais, inclusive jogo de beisebol entre a seleção cubana e os norte-americanos Tampa Bay Rays, e um discurso de Obama no Gran Teatro de Havana. Quando chegar a altura, dar-lhe-emos essas notícias.

    Mas, por agora, ficamos por aqui. Como sempre, foi um prazer tê-lo aí desse lado. Obrigado e até amanhã!

  • Resumo: O dia em que os dois antigos inimigos apertaram as mãos mas lembraram que ainda não é tempo para abraços

    Houve uma frase de Raúl Castro na conferência de imprensa que talvez resuma melhor do que qualquer outra o dia em que Barack Obama passou a ser o primeiro Presidente dos EUA a visitar Cuba em 88 anos: “Demos o primeiro passo. Para o primeiro, foi bom”.

    O dia começou com Barack Obama a depositar uma coroa de flores no Memorial José Martí, dedicado ao herói nacional cubano que foi um dos principais mentores da independência daquele país em 1895. O local é mais do que emblemático: trata-se da Praça da Revolução, o local onde nas últimas décadas Fidel Castro e mais tarde Raúl Castro juntaram multidões de perder de vista para os longos discursos na capital da ilha comunista. Ouviu-se o hino dos EUA e o cubano.

    De seguida, o Presidente dos EUA foi para o Palácio da Revolução, onde foram ouvidos novamente os dois hinos enquanto Obama e Castro estavam lado a lado.

    obama3

    Eram 15h10 (hora de Lisboa) quando os dois líderes se reuniram a sós, seguindo-se mais tarde, uma segunda reunião mais alargada, contando com a presença de um leque mais alargado de representantes de ambos os países. E, depois, finalmente, seguiu-se o momento alto do dia: a conferência de imprensa.

    Raúl Castro: “Devemos pôr em prática a arte da convivência civilizada”

    O primeiro a falar foi Raúl Castro, que iniciou o seu discurso a saudar Obama. Após enumerar os vários acordos a que os dois países chegaram, em áreas tão diversas como o comércio, os negócios, a agricultura e as viagens que agora são permitidas entre Cuba e os EUA, Castro disse a Obama: “As últimas medidas adotadas pelo seu Governo são positivas mas não são suficientes”. E, afinal o que é que falta para serem suficientes? A resposta é previsível e consiste naquelas que têm sido as duas mensagens principais de Cuba para os EUA: o fim do embargo e a saída dos EUA de Guantánamo, onde têm uma base militar e um controverso centro de detenções. Do embargo, Castro disse que tem “restrições humilhantes”; quanto a Guantánamo, disse que a normalização da relação entre os dois países só será possível quando se devolver “o território ilegalmente ocupado”.

    Mas esse não foi o único foco da intervenção do Presidente cubano, que defendeu que se deve “pôr em prática a arte da convivência civilizada, que implica aceitar e respeitar as diferenças e não fazer delas o centro da nossa relação”. E falou de pontes: “Destruir uma ponte é fácil e requer tempo. Reconstrui-la solidamente é uma tarefa muito mais longa e difícil”.

    Na ronda de perguntas feitas por jornalistas, fizeram-lhe perguntas sobre a situação dos direitos humanos em Cuba. “Quantos países do mundo cumprem os 61 direitos humanos e civis no seu conjunto? Que país é que os cumpre todos? Não sabem? Eu sei. Nenhum! Uns cumprem uns, outros cumprem outros”, devolveu aos jornalistas. E falou daqueles direitos que entende serem garantidos em Cuba, como o ensino universal gratuito e o acesso à saúde pública. Quanto ao tema dos presos políticos, só faltou a Castro negar categoricamente sua existência — mas, na prática, foi o que fez. Eis o que disse a um jornalista que pegou nesse tema:

    Dá-me a lista agora mesmo dos presos políticos para soltá-los. Diz-me o número ou o nome. Quando acabar a conferência dá-me uma lista com os presos. E se há esses presos políticos, antes que chegue a noite eles vão ser soltos”.

    Barack Obama: “O embargo vai acabar. Quando? Não posso ter a certeza, mas acho que vai acabar”

    Pouco depois de começar a falar, Obama deixou uma frase em espanhol: “Hoy es un nuevo día”. Obama falou dos vários passos dados recentemente entre os dois países desde que normalizaram as suas relações diplomáticas a 17 de dezembro de 2014 e voltou a sublinhar qual seria o derradeiro passo a dar: o fim do embargo. Eis o que disse sobre esse tema: “O embargo vai acabar. Quando? Não posso ter a certeza, mas acho que vai acabar, e o caminho onde estamos vai continuar depois do meu mandato. A razão é lógica. É que aquilo que nós fizemos durante 50 anos não serviu os nossos interesses e os do povo cubano. E como eu disse quando fizemos o anúncio da normalização das relações, se continuarmos a fazer uma coisa durante 50 anos e ela não funciona, talvez faça sentido fazer algo de novo. E foi isso que fizemos”.

    Ainda assim, há uma barreira e dois impedimentos para o embargo ser levantado. A barreira é o Congresso, cujo aval será necessário para mudar o statu quo: “Eu já demonstrei o meu interesse em fazer isso antes de sair [da Casa Branca]. Francamente, o Congresso não é tão produtivo quanto eu gostaria que ele fosse em anos de eleições”. As condições, são para Cuba: democracia e direitos humanos. “Um dos impedimentos para esses laços serem fortalecidos são estas discórdias em torno da democracia e dos direitos humanos”, disse o Presidente dos EUA.

    Assim, Obama procurou explicar o equilíbrio que quer atingir: por um lado “o destino de Cuba não vai ser decidido pelos EUA”, por outro “os EUA vão falar em nome da democracia e do direito dos cubanos decidirem o seu futuro”.

    Na nossa reunião, eu disse que os EUA reconhecem os progressos que Cuba fez na educação, na saúde e talvez mais importante de tudo, eu disse que o destino de Cuba não vai ser decidido pelos EUA ou por outras nações. Cuba é soberana e o futuro de Cuba vai ser decidido pelos cubanos e não por mais ninguém. Mas ao mesmo tempo, como fazemos no resto do mundo, eu deixei claro que os EUA vão falar em nome da democracia e do direito dos cubanos de decidirem o seu futuro, direitos humanos, como o de reunião, expressão e religião.”

  • Terminou a conferência de imprensa

    Terminou a conferência de imprensa, onde Raúl Castro acabou por ter de responder a mais perguntas do que o programado. E fechou o púlpito voltando a falar da pergunta que lhe lançaram sobre os presos políticos cubanos. A resposta foi quase à igual à anterior, onde deu a entender que nega a existência de presos políticos em Cuba: “Não é correto perguntarem-me pelos presos políticos. Digam-me o nome dos presos políticos”.

  • Castro: "Que país é que cumpre todos os direitos humanos? Não sabem? Eu sei. Nenhum!"

    Castro: “Quantos países do mundo cumprem os 61 direitos humanos e civis no seu conjunto? Que país é que os cumpre todos? Não sabem? Eu sei. Nenhum! Uns cumprem uns, outros cumprem outros. Destes, Cuba cumpre 47. Há uns que cumprem mais, outros cumprem menos. Não se pode politizar o tema dos direitos humanos. Isso não é correto (…). Para Cuba, que não os cumpre a todos, o direito à saúde, querem um direito mais sagrado do que a saúde? Para que não morram milhões e milhões de crianças porque lhes falta uma vacina ou um remédio? Por exemplo, vocês estão de acordo com o direito à educação gratuita para todos que nascem em qualquer país? Creio que há um muitos países que não consideram isso um direito humano. Em Cuba, no dia em que cada criança nasce no hospital são inscritos, porque as mães quando estão em estado de gravidez avançado vão para o hospital. Muitos dias antes do parto para que todos nasçam do hospital.”

  • Obama: "O embargo vai acabar. Quando? Não posso ter a certeza"

    Obama: “O embargo vai acabar. Quando? Não posso ter a certeza, mas acho que vai acabar, e o caminho onde estamos vai continuar depois do meu mandato. A razão é lógica. É que aquilo que nós fizemos durante 50 anos não serviu os nossos interesses e os do povo cubano. E como eu disse quando fizemos o anúncio da normalização das relações, se continuarmos a fazer uma coisa durante 50 anos e ela não funciona, talvez faça sentido fazer algo de novo. E foi isso que fizemos. E o facto de que tem havido um apoio forte não só dentro do Congresso e no povo americano mas também no povo cubano, indica que este processo deve e vai continuar. Mas como eu disse, levantar o embargo requer o voto da maioria do senado e mais da maioria do senado”.

  • Obama: "Há um entusiasmo crescente dentro do Congresso para levantar o embargo"

    Obama: “O conjunto de mudanças que têm de ser feitas com o embargo, cabem agora ao Congresso. Eu já demonstrei o meu interesse em fazer isso antes de sair. Francamente, o Congresso não é tão produtivo quando eu gostaria que ele fosse em anos de eleições. Mas o facto de termos tantos representantes do Congresso entre nós que há um entusiasmo crescente dentro do Congresso para levantar o embargo”.

  • Castro: “Demos o primeiro passo. Para o primeiro, foi bom.. E devemos continuar a dar esses passos. E estou certo de que conseguiremos conviver pacificamente e num ambiente de colaboração mútua como já fazemos nalguns aspetos em benefício de ambos os países e de outros países, como já o fazemos, no Haiti com a cólera e em África com o ébola”.

  • Raúl Castro nega que Cuba tem presos políticos

    À pergunta de um jornalista dos EUA sobre os presos políticos, Raúl Castro respondeu-lhe: “Dá-me a lista agora mesmo dos presos políticos para soltá-los. Diz-me o número ou o nome. Quando acabar a conferência dá-me uma lista com os presos. E se há esses presos políticos, antes que chegue a noite eles vão ser soltos”.

  • Obama sobre os laços entre Cuba e os EUA, e como a situação dos direitos humanos e da democracia em Cuba ainda são um impedimento: “Um dos impedimentos para esses laços serem fortalecidos são estas discórdias em torno da democracia e dos direitos humanos”

  • Obama: “Temos dois sistemas diferentes de governo, duas economias diferentes, e décadas de diferenças profundas, tanto bilaterais como internacionais. O que disse ao Presidente Castro é que estamos a ir para frente e não ao olhar para trás e que não vemos cuba como uma ameaça para os EUA e eu espero que a minha visita aqui demonstre que começámos um novo capítulo entre Cuba e os EUA. Mas vamos continuar a afirmar os princípios básicos em que acreditamos. A América acredita na democracia, liberdade de expressão, reunião e religiosa. Estes não são só valores americanos, são valores internacionais.”

  • Obama e Castro acabaram de falar, mas há perguntas para jornalistas

    Seguem-se perguntas feitas pelos jornalistas no local.

  • Obama: "Deixei claro que os EUA vão falar em nome da democracia"

    “Os EUA reconhecem os progressos que Cuba fez na educação, na saúde e talvez mais importante de tudo, eu disse [na reunião com Raúl Castro] que o destino de Cuba não vai ser decidido pelos EUA ou por outras nações. Cuba é soberana e o futuro de Cuba vai ser decidido pelos cubanos e não por mais ninguém. Mas ao mesmo tempo, como fazemos no resto do mundo, eu deixei claro que os EUA vão falar em nome da democracia e do direito dos cubanos de decidirem o seu futuro, direitos humanos, como o de reunião, expressão e religião.”

  • Obama fala do "entusiasmo nos EUA em torno do processo que iniciámos"

    “Trago comigo 40 membros do Congresso, democratas e republicanos, esta é a maior delegação da minha presidência, o que indica o entusiasmo nos EUA em torno do processo que iniciámos (…). Também vieram alguns dos maiores líderes no mundo de negócios e empreendedores (…). E também tenho o prazer de ter comigo muitos cubanos-americanos.”

  • Obama: "Hoy es un nuevo día"

    Obama já fala. Em inglês, mas com uma frase em espanhol que assinala o novo capítulo entre Cuba e os EUA: “Há mais de um século a visão de um presidente aqui em Havana seria inimaginável. Mas hoje é um novo dia. Hoy es un nuevo día”

  • Castro: "Destruir uma ponte é fácil"

    “Destruir uma ponte é fácil e requer pouco tempo. Reconstrui-la solidamente é uma tarefa muito mais longa e difícil.”

  • Castro: Apesar das diferenças, deve haver "convivência civilizada"

    “Hoje ratifico que devemos por em prática a arte da convivência civilizada, que implica aceitar e respeitar as diferenças e não fazer delas o centro da nossa relação.”

  • Castro fala em "profundas diferenças" entre os dois países

    “Existem profundas diferenças entre os nossos países que não vão desaparecer, pois temos conceções diferentes sobre muitos temas como os modelos políticos, a democracia, o exercício dos direitos humanos, a justiça social, a relações internacionais, a paz e a estabilidade mundial. Defendemos os direitos humanos. Consideramos que os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais são indivisíveis, interdependentes e universais. Concebemos um governo defenda o direito da saúde, educação, segurança social, a alimentação e o desenvolvimento, por um salário igual, um trabalho igual e os direitos das crianças.”

  • Raúl Castro: "Será necessário que se devolva o território ilegalmente ocupado de Guantánamo"

    Além do bloqueio, Castro fala da base militar Guantánamo. Antes de ser Presidente, em 2008, Obama fez campanha prometendo que ia desativar aquela base, mas tal ainda não aconteceu. “Para avançar essa normalização, também será necessário que se devolva o território ilegalmente ocupado pela base naval de Guantánamo”, disse Raúl Castro.

  • Raúl Castro já fala, saúda medidas dos EUA mas diz que "não são suficientes"

    Raúl Castro: “As últimas medidas adotadas pelo seu [de Obama] Governo são positivas mas não suficientes. Falei com o Presidente sobre outras medidas que se podem tomar para eliminar restrições humilhantes e fazer uma contribuição importante para o desmantelamento do bloqueio. isto é o essencial, porque o bloqueio que continua em vigor tem efeitos dissuasivos e efeitos intimidatórios de alcance extra territorial.”

  • Um púlpito vazio à espera de Barack Obama e de Raúl Castro

    havanacnn

    CNN

1 de 2