Para a Moleskine, a distância entre o analógico e o digital é mais fina que uma folha de papel. Ou melhor, o papel do ecrã. Segundo a Quartz, a fabricante dos cadernos com elástico continua a desbravar caminho quanto a novas tecnologias e está a adotar uma estratégia mais voltada para o mundo digital.
Nos últimos três anos, a empresa entrou na bolsa italiana, alterou o logótipo, criou uma caneta inteligente que converte o que é escrito em ficheiros digitais, fez parcerias com a aplicação Evernote e com a Adobe Creative Cloud e até lançou uma gama de capas para iPhone e para computadores portáteis (com elástico, claro).
Alguns fãs da marca queixam-se de que a qualidade do papel dos cadernos Moleskine tem vindo a degradar-se ao longo dos anos. Ainda assim, a empresa garante que se tem esforçado por servir as necessidades da classe criativa e que as opiniões dos utilizadores são sempre tidas em conta no desenvolvimento dos seus produtos.
A companhia está entre os principais parceiros da conferência TED deste ano e pretende descobrir, entre outras coisas, “o que é que o papel pode ensinar à tecnologia”, “como é que uma ideia pode viajar de uma página para um ecrã” e, também, “como é que o híbrido analógico/digital pode melhorar o resultado final”.
Cadernos semelhantes aos Moleskine já eram usados há dois séculos. Eram fabricados manualmente por alguns encadernadores parisienses e as características principais continuaram intocáveis ao longo dos anos: capa dura, uma fita que serve de marcador e o típico elástico para fechar, tal como Bruce Chatwin — o escritor e viajante inglês — descreveu os seus próprios cadernos e lhes chamava moleskine. De acordo com a Newsweek, Chatwin chegava mesmo a deslocar-se a Paris para adquirir os ditos cadernos. A empresa Moleskine, agora com sede em Milão (Itália), foi fundada por Maria Sebregondi, inspirada precisamente na obra de Chatwin, The Songlines (1986).
Editado por Diogo Queiroz de Andrade.